sexta-feira, 7 de junho de 2013
Todos os dias, bom dia!
Descobri que por trás dos livros, dos textos, das palavras, vive uma vida com outro colorido.
Uma vida em que dar a mão tem outro tipo de calor, onde um gesto do olhar, uma expressão mais triste ou mais alegre, um olhar mais gelado e magoado que brota das profundezas do ser, os braços ao abandono, contém num segundo a força e a ternura de milhares de palavras.
Descobrir que a alegria de uma discussão, de uma zanga sincera, de um confronto, de uma revolta com a vida, que nos rasga, endurece, também nos dá o bilhete de acesso directo à ternura, aos sorrisos, à felicidade, à vida.
Descubro a cada dia que a vida real e não só a dos livros, tem outros brilhos, outros cheiros, outras melodias.
É a vida real que nos faz gelar com os pingos da chuva de inverno, a mesma que nos aquece por dentro quando o sol está radioso, dentro de nós.
Eu já te disse bom dia?
Anabelarmina
Junho 2013
sábado, 13 de abril de 2013
Platonices
Eu não quero um amor platónico. Ponto.
Eu quero um amor real. Daqueles em que os pontos negros da face são pontos negros apenas (mesmo que andem sempre de mãos dadas, à meia dúzia ou mais).
Quero um amor que não se importa se tenho aquela borbulha amarelada, feia, quase a rebentar de anafada que está, na ponta do nariz, cabelo oleoso (que com jeitinho tinha óleo para bem fritar pelo menos meia dúzia de palitos de batata), as unhas roídas quase até ao osso, o cabelo bem despenteado, como se tivesse ocorrido toda a batalha Francesa só no meu coro cabeludo.
Quero um amor onde as iscas são simplesmente iscas e não passam a foie grás, compreendem?
Não, eu não quero um amor platónico.
Bem, eu não estou a dizer que não quero saber de cavalos brancos, de príncipes e de princesas, de bichos de conta bailarinos, do luar, de estrelas cadentes, de serenatas ou outras que tais. Eu estou a dizer que eu não quero um amor platónico. Ponto.
Quero um amor à prova de bala sim, mas um amor onde ter as unhas dos pés enormes e encarquilhadas (do género águia) se chama ter unhas de águia. Só.
Um amor onde por vezes, só por vezes, (não convém exagerar) se pode cheirar menos bem do pé esquerdo ou ter umas gramitas a mais sem que tal seja necessariamente sinónimo de uma catástrofe mundial que motiva a intervenção de todas as equipas de defesa dos direitos humanos a nível mundial e da defesa dos animais em vias de extinção também.
Eu estou a dizer que quero um amor que me dê a mão para não me deixar cair, ou quando estou com medo, que me ajude a levantar se tropecei num qualquer grão de areia mais provocador. Quero um amor que me ajeite o cobertor quando me armo em valente e acho que está muito calor, quando na verdade está temperatura nula, que ouça o meu silêncio e o partilhe sem ficar melindrado, que descubra coisas sobre mim que eu desconhecia ou das quais já me tinha esquecido.
Não, eu não quero um amor platónico.
É assim…se existir aquela coincidência de ambos acertarmos no mesmo fio de esparguete por obra do acaso, quando dividimos um prato de esparguete à bolonhesa também não é preciso andar de joelhos sobre meia dúzia de grãos, pelo menos meia hora, certo?
É um amor assim que eu quero.
Um amor doce mas real.
Um amor que partilhe as alegrias e as tristezas e que quando está um dia negro de trovoada não me tente convencer que o sol brilha nos antípodas… principalmente se estou furiosa, ensopada até à alma e com frio.
Não, eu não quero um amor platónico.
Ora bolas, agora tenho que ir ali abaixo…abrir a porta à fadinha dos dentes.
Anabelarmina
Abril 2013, dia do beijo
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
A Outra Escola
A outra escola tinha árvores, tinha salas maiores, tinha janelas que abrem, muitos animais por
perto, tinha magia, acho que era isso.
Foram muitos anos, muitos momentos, muitas pessoas que já não estão lá, nem cá, muitas
partilhas, muita entrega. Mas a outra escola… é esta ou a primeira? Mas…afinal…a outra não é
aquela que vem depois?! A segunda?!? A menos importante?!! Pois não sei, sei isso sim, que a
outra passou a ser a primeira, aquela que deixou saudade, apesar de ser tudo menos perfeita,
a que nos faz parar e querer que o tempo volte a trás. A outra também pode ser esta…mas isso
também não interessa nada. Uma delas é a outra.
A outra pode continuar a ter petiscos a qualquer hora, sobretudo no intervalo maior, bolos
de todas as cores e feitios, doces, salgados, pastéis de nata ou outros, de beringela, tofu
e soja, mortadela dentro de tupperwars ou não, restos de bolos do jantar do dia anterior,
ovos - moles, bolachinhas integrais, bombons de chocolate branco ou mesmo aquelas coisas
enroladas em bacon estaladiço, que cheiram tão bem quando estão a fritar! Tenho de as
provar um destes dias!
Tenho saudades, muitas saudades, da escola, da outra e da outra que esta ainda não é, mas
que vai no bom caminho para vir a ser!
Nesta escola não corro o risco de cair do primeiro andar, pelo menos, não pela janela e se
quiser ver o pardalito anafado, que em breve vai ter a companhia dos seus primos que vêm
do Cacém, tenho que descer calmamente pelas escadas, o que até me ajuda a manter a
boa forma física dizem os especialistas; sim, esta escola não é perfeita, mas a outra que é a
primeira, também o não era.
Sim, tenho saudades e muitas, mas vou à outra escola de vez em quando, sento-me no degrau
da entrada, sinto a brisa que corre apressada, tiro umas fotografias que partilho depois no
facebook e regresso mais feliz; as saudades ficam adormecidas durante algum tempo.
O importante é que a escola, a outra, vai crescendo, amadurecendo e com o passar do tempo,
vai ser aquela ou a outra e novamente isso não interessa nada, pois juntas faz com que seja
a escola, a nossa, aquela onde nos olham nos olhos e nos vêem, nos dizem que pintámos o
cabelo de um tom de castanho avelã, ligeiramente mais claro hoje ou que pintámos de um
fúscsia mais leve, as unhas dos pés ou a que a sandália de tiras castanhas e salto de madeira é
linda linda!... para já não falar na manga de balão e laçarote na gola que são o máximo! ou nos
perguntam “Como se sente hoje?” ou “Está tudo bem?” ou “Posso tirar uma dúvida? Está mais
calma hoje?”. Esta é a outra escola, a escola que deve ser sempre.
Tenho de ter mais feriados, está a dar-me para a reflexão.
Ah já agora...não se esqueçam, vou enrolar-me sobre a cadeira de rodinhas, debaixo da
secretária da sala 24 e aguardo ansiosamente pela tal latinha…sim…a do patê!!! Pode ser?
Texto elaborado para o jornal da Escola EB2.3 Isabel de Portugal
Anabelarmina
Junho 2011
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