sábado, 13 de abril de 2013
Platonices
Eu não quero um amor platónico. Ponto.
Eu quero um amor real. Daqueles em que os pontos negros da face são pontos negros apenas (mesmo que andem sempre de mãos dadas, à meia dúzia ou mais).
Quero um amor que não se importa se tenho aquela borbulha amarelada, feia, quase a rebentar de anafada que está, na ponta do nariz, cabelo oleoso (que com jeitinho tinha óleo para bem fritar pelo menos meia dúzia de palitos de batata), as unhas roídas quase até ao osso, o cabelo bem despenteado, como se tivesse ocorrido toda a batalha Francesa só no meu coro cabeludo.
Quero um amor onde as iscas são simplesmente iscas e não passam a foie grás, compreendem?
Não, eu não quero um amor platónico.
Bem, eu não estou a dizer que não quero saber de cavalos brancos, de príncipes e de princesas, de bichos de conta bailarinos, do luar, de estrelas cadentes, de serenatas ou outras que tais. Eu estou a dizer que eu não quero um amor platónico. Ponto.
Quero um amor à prova de bala sim, mas um amor onde ter as unhas dos pés enormes e encarquilhadas (do género águia) se chama ter unhas de águia. Só.
Um amor onde por vezes, só por vezes, (não convém exagerar) se pode cheirar menos bem do pé esquerdo ou ter umas gramitas a mais sem que tal seja necessariamente sinónimo de uma catástrofe mundial que motiva a intervenção de todas as equipas de defesa dos direitos humanos a nível mundial e da defesa dos animais em vias de extinção também.
Eu estou a dizer que quero um amor que me dê a mão para não me deixar cair, ou quando estou com medo, que me ajude a levantar se tropecei num qualquer grão de areia mais provocador. Quero um amor que me ajeite o cobertor quando me armo em valente e acho que está muito calor, quando na verdade está temperatura nula, que ouça o meu silêncio e o partilhe sem ficar melindrado, que descubra coisas sobre mim que eu desconhecia ou das quais já me tinha esquecido.
Não, eu não quero um amor platónico.
É assim…se existir aquela coincidência de ambos acertarmos no mesmo fio de esparguete por obra do acaso, quando dividimos um prato de esparguete à bolonhesa também não é preciso andar de joelhos sobre meia dúzia de grãos, pelo menos meia hora, certo?
É um amor assim que eu quero.
Um amor doce mas real.
Um amor que partilhe as alegrias e as tristezas e que quando está um dia negro de trovoada não me tente convencer que o sol brilha nos antípodas… principalmente se estou furiosa, ensopada até à alma e com frio.
Não, eu não quero um amor platónico.
Ora bolas, agora tenho que ir ali abaixo…abrir a porta à fadinha dos dentes.
Anabelarmina
Abril 2013, dia do beijo
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