sábado, 26 de junho de 2010

Queria ser pássaro


Queria ser pássaro, sim senhora...
Melro, Tordo, Andorinha, tanto faz!
Pássaro livre, que voasse de manhã até
ao anoitecer!
Pássaro forte, resistente, lutador...
Pássaro que sobrevoasse os oceanos,
que tocasse as núvens, que rodopiasse,
sem nunca cair.
Não queria ser um daqueles pássaros de
gaiola, com ração contada, tigela com água,
casa com grades à volta!
Era um pássaro lilás, com grandes asas aquele
que eu queria ser.
Um pássaro de sonho... ou quem sabe um sonho
de pássaro.


Teresa Santos 3 de Dezembro de 1988

sábado, 12 de junho de 2010

Música é...

Música é...
quando a melodia nos faz sonhar, nos faz viver
histórias passadas, histórias que estão por vir, outras
que estão por inventar, outras por descobrir.
Há notas musicais leves, discretas, descontraídas, suaves,
que nos adoçam a vida; depois existem aquelas que, em conjunto
ou não, nos despenteiam a alma, umas vezes no bom sentido, outras
nem por isso; existem outras ainda, que vêm encher de cor os dias
mais cinzentos, trazendo consigo o aconchego, o calor de um abraço
forte e do colo.
A Música é uma linguagem Universal, capaz de unir na diferença,
capaz de redimir quando tudo indica não existir espaço para o
perdão, capaz de trazer a esperança, mesmo quando esta parece
estar em vias de extinção.
A Música é capaz de encher a alma, de unir corações, de celebrar
a vida, mesmo quando a distância parece ser do tamanho do Universo.
A Música também é capaz de por os neurónios a bailar de mãos dadas,
os grilos e as cigarras falantes a cantarolar, as joaninhas a bailar em bicos dos pés,
com saias de tule verde alface e bandoletes fininhas, bordadas com flores lilases
e brilhantes, o vento a assobiar ou carochinhas menos elegantes a rodopiar
elegantemente, usando tops cravejados de estrelas brilhantes e legins
cor de cereja a condizer.
Às vezes a música também se faz de silêncios.
Dentro de nós existem infinitas melodias por descobrir e por inventar,
só temos que as conseguir escutar.
Sabes quando descobri que sentia a tua falta?
Foi quando deixei de escutar a tua música e descobri que era ela que
me fazia companhia e preenchia todos os meus dias.

T. Santos

sábado, 29 de maio de 2010

Lucky

São tantas as gargalhadas, as corridas, os saltos,
os momentos que partilhamos, que às vezes, até me
esqueço, que temos linguagens diferentes.
Estás presente em todos os meus dias, fazendo-os com
toda a certeza bem melhores, mais coloridos, mais felizes.
Às vezes tiras-me do sério... e eu a ti: somos chatas, rebeldes,
tiramos a paciência a um santo, mas sei que estou quase sempre
em qualquer sítio dentro do teu ângulo de visão, quando não sei de ti;
acredito que algo de semelhante se passe com o camarão cru, com a
carne crua, o frango assado, o peixe cru, o peixe de caldeirada ou a latinha
pequena do patê...
É tão bom ter-te junto a mim. Muito bom. Até quase me esqueço, que atiras
com força as bolas da árvore de natal para o chão, arranhas os sofás, saltas
para cima dos móveis ou te atiras aos meus pés descalços, como se fossem feitos
de veludo, principalmente se estou ao telefone.
Gosto de te provocar e tu sabes tão bem isso, quando me vens chamar para mais
uma das nossas brincadeiras; mas tu não ficas atrás, quando te escondes (às vezes faço
que não vejo, outras grito) por detrás da porta ou de uma qualquer parede e apareces de
rompante e te voltas a esconder de novo...
É muito doce e reconfortante, quando sinto uma dor, ou quando estou triste e te sentas
a olhar-me fixamente com esse olhar redondo e enorme.
É tão bom quando te aninhas junto a mim, como se fosses uma manta polar, mesmo quando
estão mais de 30 graus. Agradeço-te também por isso.
É mesmo muito bom ter-te junto a mim.

Dedicado à Lucky, a minha gata e a todos os animais de estimação

T.Santos