quinta-feira, 9 de junho de 2011

Era uma vez...

Era uma vez estrelas de mil cores, planetas às listas ou aos quadrados, plantados nas órbitas da imaginação e crianças...muitas crianças... de todas as cores, de todos os feitios, crenças, olhares e histórias...tantas histórias...umas são de encantar outras com o feitiço quebrado, de desalento.
Há histórias de magia, outras são tão más, duras e reais que nos arrancam lágrimas, tristezas, apertam o coração ou dão um nó na garganta e nos fazem ter vontade de desistir, de pintar tudo com cores de muito preto e pouco branco, na tentativa de as esquecer e apagar.
Os dias correm velozes, o ritmo tão alucinante, por vezes deixa-nos incapazes de pensar com clareza, de sentir com tempo; porém, surgem depois, os dias de ternura, de acalmia, de fantasia, dias em que uma melodia suave nos transporta e em que tudo passa a fazer mais sentido; surgem dias de sorrisos, dias que nos fazem continuar, quando do nada, surge aquele olhar que nos implora para não desistir, aquele olhar que nos toca fundo e nos faz acreditar. Então a magia acontece, do cansaço nasce a força e com ela a vontade de mudar tudo, para melhor!
Na escola os meninos jogam à bola e as meninas fazem tranças, ou saltam à corda (aquela corda de cor verde fluorescente, como a da luz da discoteca) ou costuram bonecas de trapo, com olhos de botão, boca bordada da cor da rosa que está no jardim e nariz de ervilha, a fingir que é real.
A gata lambe uma vez mais e repetidamente os seus longos bigodes e depois esconde-se atrás do banco do jardim a observar aquele pardal anafado, que está tão próximo e quase a escorregar do galho , daquele limoeiro pequeno que está no fundo do pátio.
Todos os dias acontecem, parecem tão iguais, porém, todos sabemos que tal não é possível; quem sabe essa não seja a magia principal. Quase nada se pode prever, ou corre-se o risco de errar, nem mesmo que alguém nos diga: "Obrigado por tudo!" ou "Peço desculpa, se nem sempre me portei como devia ser..." ou " Ficámos muito gratos por tudo!" sim, também nós ficámos gratos por todos os bons momentos (e alguns maus também!): pelos textos, pela música, pelas cantigas, pela coragem, pelo empenho e dedicação, pela ternura.
É tempo de dizer: "Até qualquer hora!"- a esperança é que essa hora possa mesmo chegar e se voltem a partilhar emoções, gostos, gargalhadas, sorrisos, momentos e se possa acreditar que vale a pena lutar para ser Feliz.
Outro dia começa...a gata espreguiça-se calmamente ao som de uns acordes da viola que se ouve ao fundo,, primeiro para trás, depois para a frente, estica as patas traseiras até ficar nas pontas dos dedos e depois, devagar, muito devagar, lança-se suavemente, em busca de um abraço qualquer, que a queira apertar forte e já agora, se não for pedir muito, se lembre de trazer uma latinha do seu patê preferido.

Texto dedicado aos alunos do 9º ano da escola EB2,3 Moinhos da Arroja ano 2010/2011

A. Silva

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